Juiz de Fora, 25 de Maio de 2018
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Edição atual | n° 177 - 29/03/2018

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Afastado há muito de prazeres triviais, ontem fui à feira do São Pedro e tive o prazer de ver como ela cresceu em 25 anos.

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Economia Circular


A Primeira Revolução Industrial começou em 1780 com o emprego da máquina a vapor, substituindo as forças humana e animal. Um século depois, ocorreu a Segunda Revolução, com a incorporação do petróleo, da energia elétrica, do carro e da telefonia. Já na metade do século passado, os transistores e a informática nos levaram a um novo patamar de produção e consumo. Todavia, essas três revoluções ocorridas em dois séculos e meio não respeitaram a lei da natureza, em que nada se perde, nada se cria, tudo se transforma. Quanto mais evoluímos, mais geramos resíduos. Como consequência, destruição da camada de ozônio, mudanças climáticas, superaquecimento global. Mas, algumas empresas já perceberam que é um bom negócio trabalhar com a ideia da economia circular, ou seja, introduzir processos produtivos em que o resíduo seja fonte de riqueza. Logo, não há resíduo, mas coprodutos. Agindo assim, as empresas aumentam a receita e reduzem custos.
A Boomers é uma empresa genuinamente brasileira que começou como startup, em 2012, acreditando que tudo pode ser transformado, nada pode ir para o lixo. Nas grandes cidades brasileiras, cada habitante gera 1,2 quilos de lixo por dia. Cerca de 60% disso poderia ser reutilizado. Mas, a Boomers se especializou nos outros 40%, ou seja, naquilo que aparentemente não tem valor, como binga de cigarro e fralda descartável, gerando novos produtos. O lema deles é “do início ao início”, pois nada é resíduo, nada tem fim. É a essência da economia circular. Por exemplo, das embalagens que envolvem os pacotes de biscoitos e que não eram recicláveis, a Boomers está fazendo o display para divulgação de produtos do próprio biscoito nos pontos de venda, como padarias e supermercados.
Ao acreditar que, ao pensar diferente, é possível fazer diferente, a empresa conseguiu convencer outras empresas que “até o inimaginável pode ser transformado” e não ir para o lixo. E passaram a vender soluções para os problemas de cada empresa. Prestes a completar seis anos de vida, a Boomers caiu na graça de grandes empresas, está com sede no caríssimo bairro Morumbi, em São Paulo e hoje tem no seu portifólio de clientes a Procter & Gamble, a Gillete (que está no mercado com 83 produtos diferentes), a PepsiCo, a Mabel, a Adidas, a Natura, a Nestlé, a Mercedes, a Volkswagen, a Danone, a BR Foods... Ufa! O mundo já mudou. O consumidor não é o mesmo, a forma de produzir não é a mesma. Logo, as empresas não podem ser o que eram. Quem não mudar, desaparecerá. É questão de tempo.

Paulo do Carmo Martins
Doutor em Economia Aplicada pela USP/Esalq, Professor da FRA/UFJF
 
 

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