Juiz de Fora, 25 de Maio de 2018
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Edição atual | n° 177 - 29/03/2018

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Afastado há muito de prazeres triviais, ontem fui à feira do São Pedro e tive o prazer de ver como ela cresceu em 25 anos.

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Visão 2030


Afastado há muito de prazeres triviais, ontem fui à feira do São Pedro e tive o prazer de ver como ela cresceu em 25 anos. Ela foi criada quando eu era secretário de Agropecuária e Abastecimento. E vi muita variedade e cores. Pois, nem sempre foi assim. Nos anos 70 éramos importadores de alimentos. Nossas quitandas eram feias. Só tinha couve, chuchu, banana e fruta da época. Produzíamos comida pouca.
Mas, evoluímos rápida mente e não me canso de ouvir os Titãs cantarem que “a gente não quer só comida, quer diversão e arte, quer dinheiro e felicidade...” Vixe! Fica claro que superamos esta barreira da escassez de alimentos. Mais que isso, alimentamos hoje 210 milhões de brasileiros e mais 4,5 brasis mundo afora. Em 2017, exportamos alimentos para 140 países e deixamos no Banco Central US$ 81,7 bilhões, que são usados para pagar desde a Coca-Cola que você bebe até o Netflix que você assiste. Afinal, tudo isso é pago em dólar. Foi a tropicalização de plantas e animais que não existia no Brasil, como soja, milho, capins e vacas que permitiu esta conquista. O Brasil é o único país do mundo que faz agricultura diversificada na região tropical. E isso é fruto de tecnologia disponível para produtor empreendedor.
Esta semana a Embrapa completou 45 anos. Em vez de deitar sobre as conquistas do passado, lançou o documento Visão 2030 – O futuro da agricultura brasileira, acessível em https://www.embrapa.br/visao-2030 . Vamos ter cada vez mais mão-de-obra escassa e cara no campo, com a concentração nos elos da cadeia: produção, indústria e varejo. Com recursos escassos, os processos produtivos terão de ser intensificados, ou seja, cada vez maior produção por hectare, considerando a necessidade de serem sustentáveis. Perdas e desperdícios precisarão cair.
Apesar de Trump não acreditar, as mudanças climáticas já impactam a agricultura e teremos que gerar plantas e animais resilientes, mais adaptados. Também teremos de gerar novas ferramentas para mitigar riscos na agricultura, desde os riscos climáticos, passando pelos de mercado e chegando aos riscos de gestão. Num outro aspecto, precisaremos desenvolver competências para agregar mais valor às cadeias produtivas. Além de produzir alimentos seguros, saudáveis e rastreáveis, será preciso estar conectado com os anseios do consumidor, num cenário em que a biologia sintética, a bioinformática e o mundo digital serão decisivos para o sucesso da agricultura brasileira. O sucesso até aqui não garante o futuro, que depende do que fizermos a partir de agora até 2030!

Paulo do Carmo Martins
Doutor em Economia Aplicada pela USP/Esalq, Professor da FRA/UFJF
 
 

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