Juiz de Fora, 22 de Abril de 2018
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Delícias de Minas impulsionam economia regional


Essa noticia foi publicada da revista edição n°173

Redação
 

    
Há quem diga que mineiro é um povo que come quieto. E come mesmo! Enquanto se pensa na produção da farinha, ele apresenta logo o angu pronto. “Angu sim, não é polenta”, frisaria qualquer pessoa nascida no estado. O ditado exemplifica com maestria uma outra característica nata: a aptidão para a culinária.
Das pequenas produções artesanais, como o pão de queijo, o pão de canela, a traíra sem espinha e o torresmo, que podem ser acompanhadas pelas famosas cachaças e cervejas, até produtos que alcançaram reconhecimento vultoso dentro e fora do Brasil, a criatividade do povo mineiro é o principal ingrediente de uma receita que já beneficia milhares de famílias e vem impulsionando o desenvolvimento econômico, a geração de emprego e renda e a atração do turismo.
Recentes levantamentos de dados confirmam o que todos podiam adivinhar por intuição: gastronomia é o maior símbolo de Minas. Segundo a Pesquisa de Demanda Turística 2017, realizada pela Secretaria de Estado de Turismo (Setur), a primeira coisa que vem à mente dos 24% entrevistados são nossos famosos pratos e quitutes.
A presidente do Juiz de Fora Convention & Visitors Bureau em Juiz de Fora, Thais de Oliveira Lima, afirma com veemência que “Minas é gastronomia”! Um segmento que faz muito mais do que apenas deleitar o paladar. Para ela, trata-se de um dos nossos maiores atrativos turísticos. “Ela cria a identidade de uma região e Juiz de Fora e a Zona da Mata têm muito a oferecer. Isso porque as pessoas se encantam com a nossa comida e o deslocamento com a finalidade de consumo movimenta a economia local.”

Uma pitada a mais para o fortalecimento da gastronomia mineira


Como forma de transformar o setor em um eixo de desenvolvimento, o Governo de Minas Gerais, em parceria com a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais, criou o Programa + Gastronomia. Trata-se de uma iniciativa que envolve diversas instâncias da administração estadual para, em conjunto com a sociedade civil e a iniciativa privada, fomentar e valorizar essa cadeia produtiva, reconhecendo-a como setor estratégico para o desenvolvimento sustentável.
O projeto soma-se a outras importantes ações já realizadas no estado de forma colaborativa e participativa entre diversos atores, como a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater) e o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA).

Minas ganha Mapa Gastronômico
Um catálogo com 31 circuitos turísticos do estado, 150 festivais gastronômicos, 120 produtores locais que recebem visitas e 27 roteiros incríveis. Essas são algumas características do Mapa Gastronômico, a primeira ação do Programa + Gastronomia, lançado pela Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais em outubro deste ano na Mineiraria - Casa da Gastronomia Mineira. O objetivo é reunir em um mesmo espaço atrativos turísticos e gastronômicos do estado.

Pão de canela espalha o sabor e o aroma de Ibitipoca por todo país


Quem visita Conceição de Ibitipoca, distrito de Lima Duarte, já sabe que terá que levar de volta na bagagem uma iguaria, seja para consumo próprio ou aquela encomenda feita por um amigo. Tão famoso quanto as cachoeiras e grutas do parque, o Pão de Canela da Beth é um dos mais tradicionais e, diga-se de passagem, deliciosos da vila.
A receita passou de geração em geração e, há 19 anos, veio parar nas talentosas mãos de Elizabeth Aguiar. Ela aperfeiçoou o que já era bom e expandiu o negócio da família, uma antiga quitanda da avó e da tia-avó. Hoje, o muito procurado, Quitutes da Beth.
As vendas são feitas nos finais de semana, quando são comercializados, em média, 100 pães por dia. Já nos feriados, esse número costuma dobrar. “As pessoas consomem o pão aqui, mas geralmente, no último dia da estada, elas nos procuram e compram para levar para casa”, diz.
Beth não possui funcionários, a mão de obra é familiar. Porém, seu trabalho ajuda a movimentar a economia do município e dos arredores, com a compra dos ingredientes para a produção. “A maior parte do que utilizamos nas receitas vem dos produtores locais, temos essa preocupação, mas o que não conseguimos aqui, trazemos de Juiz de Fora.”
Além da venda em seu estabelecimento, o Pão de Canela da Beth também é vendido para quatro pousadas da região. Assim como ela, outros fabricantes do pão tornam a iguaria uma espécie de marca registrada de Ibitipoca, levando sua fama a todos os cantos do país.
“Percebemos que os turistas nos procuram porque querem um produto genuinamente local. Como o artesanato comercializado na vila vem de fora, o pão de canela é o único produto típico e que se tornou referência em Ibitipoca. Podemos afirmar que ele contribui para a atração de turistas”, conta orgulhosa.

Pão de queijo, quem te conhece não esquece jamais


Falar sobre gastronomia mineira sem lembrar do nosso carro-chefe é impossível. O pão de queijo lidera as vendas e imprime boas recordações em conterrâneos e turistas de outros estados que experimentam essa delícia. Com um cafezinho fresco, então, não existe combinação melhor. E a Pesquisa de Demanda Turística de Minas Gerais, elaborada pela Secretaria de Estado de Turismo (Setur-MG), comprovou isso: ele tem 41,5% da preferência!
Apostando nesse filão, uma família de Barbacena decidiu produzir o famoso pãozinho, mas não poderia ser de qualquer jeito. “Há 30 anos, adquirimos uma parada, na BR-040, e lá já existia um pão de queijo, não muito bom. Minha mãe, Terezinha, com seu talento culinário, foi aperfeiçoando a receita, até que se tornou o sucesso que é hoje”, conta Expedito Ferreira do Nascimento Júnior, que atualmente está à frente das duas lanchonetes da família. A outra fica em Alfredo Vasconcelos que, assim como Barbacena, está localizada no Campo das Vertentes, bem próximo à Zona da Mata.
O segredo para o pão de queijo ter se tornado referência regional, Expedito atribui à quantidade de queijo utilizada na receita. “Oferecer um produto de qualidade sem economizar nos melhores ingredientes é a chave para conquistarmos novos clientes”, acredita. Ele destaca que vende diariamente, em média, dois mil pães de queijo nas duas lojas.
Com o passar dos anos, a clientela foi aumentando e, grande parte, tornou-se fixa. “Nossas lanchonetes estão localizadas em paradas na estrada e, mesmo assim, as pessoas vêm por causa do pão de queijo, porque sabem que nosso produto é diferenciado. Elas comem aqui e ainda levam para casa, seja para consumo próprio ou para presentear alguém”, conta.
A economia local também é afetada positivamente com o sucesso dos negócios. São 53 empregos diretos, além da compra de ingredientes que é praticamente toda feita dos produtores da região.

Bar do bigode, toucinho frito, crocante e com tempero único


Vir a Juiz de Fora e não dar aquela passadinha no Bar do Bigode & Xororó para comer o famoso torresmo é o mesmo que não ter vindo. Há mais de 40 anos funcionando no mesmo local, no centro da cidade, o bar possui hoje uma segunda unidade bem em frente à outra. Essa foi a solução encontrada para atender melhor à clientela que não para de crescer. Na estreita rua Oswaldo Aranha se concentram, todos os dias, os amantes do toucinho frito, crocante e com tempero único. Com algumas gotas de limão, fica inesquecível.
De ex-funcionário a sócio, Ademir Couto de Oliveira administra os negócios de perto e a cozinha, claro, é o local preferido. A quantidade de torresmo vendida diariamente ele guarda a sete chaves, mas podemos deduzir que seja um número vultuoso. Com o bar funcionando de segunda a domingo, Ademir garante que, de quarta a sábado, cerca de 600 pessoas, em média, passam por lá diariamente. E um dado interessante, vindo da própria observação, é que entre 50% e 60% são turistas. “Recebemos pessoas do país inteiro todos os dias. Tem sempre alguém que traz um parente, um amigo para experimentar o torresmo. Sabemos quem é turista porque no final eles acabam comprando mais para levar para suas cidades”, conta com a típica simplicidade mineira.
Se a quantidade vendida diariamente é mistério, o mesmo não podemos falar sobre a receita do sucesso. “Nosso torresmo é 100% artesanal, não tem nenhuma química, é feito com o mesmo tempero, a mesma forma de cortar e de fritar durante todo esse tempo. Além disso, a matéria-prima também vem dos antigos fornecedores há mais de 30 anos. Nós passamos o dia todo, literalmente, tomando conta de torresmo”, revela.
E a fama do torresmo do Bigode também já chegou aos famosos. Começou com o ex-presidente Itamar Franco, que fazia questão de oferecer o prato nas recepções em Brasília. De lá pra cá, o boca a boca se encarregou de fazer a divulgação e o mundo da música sertaneja também se rendeu à iguaria. O cantor Leonardo é um dos mais fiéis. “Quando está se apresentando pela região, ele liga para fazer sua encomenda. As duplas João Bosco e Vinícius, Fernando & Sorocaba e também o Chitãozinho provaram e sempre encomendam”, entrega Ademir.
A MPB não poderia ficar de fora. Milton Nascimento, quando veio morar na cidade, também virou adepto do bar. Seu preferido é o bolinho de bacalhau. Mas, aí já é outra história.

Traíra sem espinha - quando um único prato conquista o Brasil


De um bar com quatro mesas a um amplo restaurante que abriga 130 pessoas. Uma expansão difícil de ser compreendida, considerando o fato de que, ao longo de 25 anos, um único prato foi o protagonista: a famosa traíra sem espinha, acompanhada de arroz ao alho, pirão, batata frita e bobó de camarão.
A receita carrega em si a tradição de uma família, que produz mensalmente mais de 1.500 kg de traíra. “Como bom mineiro, não gosto de exagerar, mas digo sem medo de errar que já recebemos pessoas de todos os estados. Inclusive, personalidades como Marcos Frota, Sheyla Carvalho e o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva”, salienta José Cirilo Afonso, o Gu, um dos filhos do proprietário que, ao lado dos irmãos, comanda o restaurante.
Segundo o secretário de Turismo de Santos Dumont, Marco Germano, “cerca de 40% dos turistas chegam especificamente para experimentar a deliciosa traíra sem espinha, enquanto 30% se concentram nas visitas aos pontos turísticos, como o Museu de Cabangu”.

Queijo Borboleta e Palmyra


Os nomes são distintos. Mas as charmosas embalagens abrigam um produto muito similar, diferenciados apenas pelo tempo de cura. Isso, para atender às expectativas dos clientes no nordeste do país. A influência dos colonizadores holandeses transformou a população dessa região em exímios apreciadores e, hoje, eles representam 95% da ampla cartela de consumidores do queijo tipo Reino fabricado em Santos Dumont.
A história remonta ao ano de 1886, quando um holandês encontrou na cidade mineira o clima ideal para a produção do queijo tipo Édam, tradicional em seu país de origem e servido entre os nobres. Com a corte portuguesa vindo para o Brasil, era preciso importar o queijo “do reino”. E por que não produzir em um lugar que abrigasse um microclima semelhante ao europeu? Assim, surgiu o primeiro laticínio da América Latina, onde atualmente se produz o queijo Borboleta e o Palmyra.
O produto teve sucesso imediato devido à sua qualidade que superava o original holandês. Tornou-se então um dos grandes queijos nacionais.
Para além da imponente trajetória, a fábrica é agora um importante braço da economia local. Atualmente, o volume de produção gira em torno de 80 mil litros de leite utilizados na fabricação de quatro toneladas de queijo por dia. Uma produção que mobiliza 80 colaboradores diretos efetivados e mais 400 empregos gerados indiretamente. “É uma verdadeira cadeia produtiva, que contempla toda a bacia leiteira da região e uma ampla logística para o escoamento do produto”, ressalta Ana Paula da Silva Gomes, diretora da fábrica.

Uma aposta doce e rentável


A origem é incerta. Popularmente, acredita-se que tenha sido inventado pelos vizinhos argentinos entre 1829 e 1832. Os uruguaios também reivindicam a invenção, afirmando que foi feita pelas mãos de escravos. Uma coisa é certa: o doce de leite chegou ao Brasil e se tornou o preferido dos brasileiros e, sem dúvida, os mineiros são os responsáveis por fazer tão bem essa delícia.
Seja no formato pastoso, em cubos ou barra, o doce de leite faz parte da gastronomia do estado, que vê o produto como uma de suas preferidas sobremesas e fontes de renda. Responsável por um terço da produção nacional de leite, Minas Gerais possui o maior parque industrial de laticínios do Brasil e detém 50% da produção de doce de leite.
Na Zona da Mata mineira, uma marca com mais de 50 anos de atuação se orgulha por fazer parte dessa história e, mais ainda, pela capacidade produtiva de 10 toneladas diárias do produto. “Já tínhamos a paixão pelo doce de leite desde a época do meu avô. Na casa dele, sempre havia um tacho sobre o fogão a lenha cozinhando um delicioso doce. Era a sobremesa perfeita para todas as ocasiões. Em 1997, adquirimos a marca Souvenir, dando continuidade ao negócio que já era consolidado na região”, explica Márcio Aloísio da Silva, diretor administrativo da empresa, instalada no município de Tabuleiro.
Uma cadeia produtiva que gera um impacto econômico vertiginoso. O leite é captado de mais de 200 produtores da região, 80 empregos diretos são gerados na fábrica, além de uma estimativa de 150 colaboradores envolvidos indiretamente nos processos de produção e distribuição.

Aqui se faz, aqui se bebe


Coisas que mineiro não recusa: dois dedinhos de prosa e uma boa dose de cachaça. Para falar a verdade, mineiro gosta mesmo é de produzir a própria bebida. E, neste setor, a aguardente é nossa principal representante. Minas é o maior produtor nacional, com mais de 1.500 marcas.
A cachaça é levada tão a sério por aqui, que uma Lei Estadual a declarou Patrimônio Cultural. Além disso, foi o primeiro estado a aprovar uma legislação que regulamenta e protege a produção. Enquanto no restante do país a fabricação é predominantemente industrial, em Minas prevalece a cachaça de alambique. Como é o caso de Fernando de Castro Furtado, produtor de São João Nepomuceno.
Com uma produção de 40 mil litros por ano, a fabricação é totalmente artesanal. Os 10 funcionários participam desde o cultivo e colheita da cana-de-açúcar até o engarrafamento e distribuição do produto. “O segredo de uma boa cachaça começa ainda no canavial, com todo o cuidado com a plantação, e vai até a hora de engarrafar. Antes disso, ela é armazenada em tonéis de madeira por um período de três anos e, anualmente, é feita a análise em laboratório para testarmos se a qualidade se mantém”, revela.
José Roberto Marques Lobo, gerente regional do Sebrae Minas - Zona da Mata e Vertentes, vê na cachaça um grande potencial para fomentar o turismo. “Boa parte dessa produção artesanal é feita em antigas fazendas, e explorar o consumo responsável da bebida com a conceituada culinária regional e a hospitalidade mineira possibilita a geração de um fluxo turístico incremental”, acredita.
E foi isso que fez o Fernando. Abriu o alambique para a visitação e, além de vender o produto para todo o país, atrai turistas para São João Nepomuceno. “Depois de acompanhar todo o processo, as pessoas são convidadas à degustação. Gostam tanto que sempre compram, pelo menos, uma garrafa para presentear alguém”, comemora.

Cerveja artesanal aquece a economia


Com uma movimentação de R$ 32 milhões por ano e uma produção de três milhões de litros também anuais em Juiz de Fora, o mercado da cerveja especial tem conquistado cada vez mais interessados. Longe de ser um modismo, é um negócio altamente promissor.
Confirmando seu pioneirismo no ramo cervejeiro – em 1861, o alemão Sebastian Kunz criou aqui a primeira fábrica mineira – a cidade conta hoje com 13 microcervejarias registradas e 18 marcas, sendo que algumas fábricas produzem para marcas diferentes. Em maio deste ano, os produtores conquistaram o reconhecimento do Estado como Arranjo Produtivo Local (APL). Esse foi o primeiro de Minas para o setor e significa a possibilidade de incentivos para a cadeia produtiva da cerveja.
O vice-presidente da União Cervejeira da Zona da Mata (UniCerva ZM), Cristian Nazareno, vê com bons olhos a formalização. “Esse reconhecimento do governo de Minas nos permite uma maior visibilidade, seja participando de feiras, seja através da divulgação na mídia estadual. Por enquanto, ainda não há um acontecimento apoteótico, até porque o APL é muito recente, mas a somatória de benesses é muito importante para o setor”, analisa.
A geração de emprego nas microcervejarias é outro fator que contribui para dinamizar a economia regional. “É importante frisar que as cervejarias artesanais são pequenas indústrias, em sua maioria, e trabalham dentro de uma extensa cadeia produtiva, e por isso geram empregos diretos e indiretos. Como a demanda por cerveja artesanal é crescente, a cada dia mais cervejarias entram no mercado, o que contribui para ampliar a atividade econômica local”, pondera João Roberto Marques Lobo, gerente regional do Sebrae Minas - Zona da Mata e Vertentes.
O segmento de turismo de negócios e eventos também é beneficiado. “Como Juiz de Fora faz parte da história da cerveja no Brasil, é natural que ganhe destaque na qualidade de sua produção. E isso possibilita movimentar o turismo regional, não só em torno da origem das marcas pioneiras, mas também na ampliação dos circuitos e festivais gastronômicos”, acrescenta João Roberto.
Um levantamento realizado pelo Sebrae Minas em Juiz de Fora aponta o perfil do consumidor desse tipo de cerveja: os homens são os maiores consumidores (57%); grande parte é jovem, possui entre 20 e 29 anos (41%); a maioria é solteira (63%) e 48,8% possuem renda familiar entre R$ 2,5 mil e R$ 10,2 mil.

É banana que não acaba mais...


Quintino Faria Moreira faz parte da terceira geração à frente de um negócio que hoje movimenta toda a economia da pacata cidade de Piau: a plantação de banana. Nos 52 hectares do Sítio Catumba, a pouco mais de 40 km de Juiz de Fora, é possível encontrar banana-prata, ouro, nanica, maçã, pão, terra e pacovan. Enquanto o irmão cuida da plantação convencional, ele se dedica à orgânica. De maio do ano passado até junho de 2017, por exemplo, Quintino colheu mais de quatro mil caixas de bananas. Agora, ele investe em uma área específica para o processamento da fruta que, em breve, vai se transformar também em biomassa, farinha e banana-passa.
Mas não se engane com os números e possibilidades. O trabalho é árduo e começa logo cedo. Às quatro e meia da manhã é preciso estar de pé para separar os cachos e rumar para as feiras em Petrópolis e diversos pontos em Juiz de Fora, dependendo do dia da semana, ou ainda destinar aqueles que vão para as escolas, onde as frutas são servidas como complemento da merenda escolar.
Assim como a do Quintino, outras tantas famílias também seguem a mesma rotina. Por ano, elas colhem cerca de 10 mil toneladas da fruta. A atividade é tão pujante que muitos produtores se organizaram e criaram a Cooperativa de Produtores Rurais de Piau, que contabiliza 32 anos de atuação.
Um negócio que acabou virando festa, no melhor sentido possível da expressão. Desde 1984, a cidade realiza no mês de julho a Festa da Banana, que atualmente recebe mais de 20 mil pessoas, ou seja, cerca de sete vezes mais o número de habitantes.
Na programação, turistas de todo o país acompanham o desfile de carros de boi, shows de importantes cantores sertanejos, concurso de melhor cacho de bananas e exposição de artesanato e alimentos. Na festa, já é tradição a distribuição das frutas entre o público presente. Neste ano, por exemplo, 250 expositores doaram 15 toneladas de bananas durante os quatro dias de festividades.

Café movimenta R$11 bilhões em Minas


Quem resiste ao cheirinho de café fresco? Para os mineiros isso é quase impossível! É por isso que em Minas a produção é levada tão a sério. Estima-se que até o final do mês os negócios vão movimentar mais de R$ 20 bilhões na economia brasileira, 54% só no estado, ou seja, aproximadamente R$11 bilhões. O café é o principal produto do agronegócio mineiro e vai continuar sendo, pelo menos no que depender da vontade dos agricultores.
Um grande exemplo de materialização desse desejo é a Cooperativa dos Cafeicultores da Região da Lajinha (Coocafé). Formada por micro e pequenos produtores, essencialmente da agricultura familiar – 95% –, a cooperativa foi criada para fortalecer a produção cafeeira da região da Zona da Mata. Hoje ela está em mais de 50 municípios e é produzido 1,5 milhão de sacas por ano. Cerca de nove mil associados recebem assistência especializada e ainda têm a garantia de comercialização do café em 11 lojas de insumos e implementos agrícolas.
Com uma estrutura montada para atender um maior número de cafeicultores, a cooperativa conta com 400 funcionários. O diretor-presidente, Fernando Cerqueira, comemora os bons números e faz previsões para o futuro. “A Coocafé existe para promover o ganho coletivo, através da participação dos cooperados e de importantes parcerias. Nos últimos anos, intensificamos nossos investimentos, com abertura de unidades e ações voltadas para a disseminação de conhecimento. Isso nos proporcionou bons resultados. E para os próximos anos, pretendemos manter essa linha de trabalho, focada sempre na melhoria da qualidade de vida das comunidades nas quais atuamos.”

Reconhecimento
Em novembro, a Coocafé conquistou o primeiro lugar no Prêmio SomosCoop, em Brasília, que elege as melhores cooperativas do ano. O programa de rádio Alvorada Sertaneja Coocafé ficou com a categoria Comunicação e Difusão do Cooperativismo. Também em novembro, a cooperativa foi uma das 12 premiadas no nível de maturidade Compromisso com a Excelência, no Prêmio Sescoop Excelência em Gestão.
 
 

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