Juiz de Fora, 18 de Fevereiro de 2018
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Edição atual | n° 174 - 28/01/2018

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Vivemos num planeta onde tudo se encaixa, faz sentido e que tem no sol a sua imensa fonte de energia. O lixo de uma espécie é alimento para outra espécie e, no final, tudo se fecha, num círculo de energia. Tudo que nasce, morre e se transforma em energia. Do pó vieste, ao pó voltarás. Nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.

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Do Lixo ao Luxo


Vivemos num planeta onde tudo se encaixa, faz sentido e que tem no sol a sua imensa fonte de energia. O lixo de uma espécie é alimento para outra espécie e, no final, tudo se fecha, num círculo de energia. Tudo que nasce, morre e se transforma em energia. Do pó vieste, ao pó voltarás. Nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.
A inteligência de funcionamento deste planeta é simples, embora a operação seja sofisticadíssima. É fazer circular a energia de forma harmônica. Todavia, o modo de produção e consumo do homem moderno quebra este processo e desarmoniza a circulação de energia, comprometendo a sustentabilidade do planeta. Isso resulta em extinção de espécies e na escassez contínua de matérias-primas e em mudanças climáticas. O IBGE estima que no Brasil geramos 186 mil toneladas de lixo por dia. Quase um quilo por habitante, por dia!
A Economia Circular, conceito novo e que veio para ficar, entende que é preciso resgatar a lógica do planeta, ou seja, o resíduo de um processo produtivo precisa ser insumo na produção de novos produtos. É preciso, em escala industrial, praticar os três “R”, ou seja, Reduzir o consumo de matérias-primas, Reutilizar o que já foi produzido e Reciclar o que não é mais usado. Para isso, é preciso aplicar tecnologia de produção moderna e investir em design do produto para atrair o consumidor.
Em 2015, uma startup gaúcha decidiu aplicar o conceito de Economia Circular. Duas jovens se reuniram e criaram a Insecta Shoes. Com o lema “calce uma causa” e com apenas R$120 mil de investimento, começaram a produzir calçados veganos e ecológicos, ou seja, sapatos fabricados com material reciclado e com reaproveitamento de sobras da própria indústria de calçados, mas sem usar couro, ou matérias-primas de origem animal. A palmilha é feita de resíduo da indústria têxtil. O solado é de borracha reciclada e as garrafas pet substituem o couro, gerando produtos de rara beleza.
A preços médios de R$ 280, o canal de vendas no início foi somente a internet. Mas, logo abriram em Porto Alegre a primeira loja física. Quando a empresa completou um ano, a empresa faturou R$ 1,7 milhão e abriu em São Paulo a segunda loja. Agora que a empresa completou dois anos, as vendas continuam fortemente crescendo na internet e já são 13 lojas. Além das pioneiras em Porto Alegre e São Paulo, a Insecta Shoes está no Rio de Janeiro e no Museu Inhotim, em Brumadinho. No exterior, em Nova York, Los Angeles, Toronto, Berlim, Barcelona e Paris. A Insecta Shoes é um exemplo de economia circular, que demonstra que as causas podem ser belas fontes de riqueza ao encantar o consumidor, em harmonia com o planeta.

Paulo do Carmo Martins
Doutor em Economia Aplicada pela USP/Esalq, Professor da FRA/UFJF
 
 

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