HomeOpiniãoA Copa da tristeza e a solução no Datafolha

A Copa da tristeza e a solução no Datafolha

A Copa começa quinta-feira, o Brasil estreia domingo. Estamos a menos de uma semana daquela que, normalmente, é a maior festa dos brasileiros, depois do Carnaval. O momento de mais orgulho nacional, quando nos projetamos mundo afora naquilo “que somos melhores”.

Mas veja: onde estão as cornetas, as ruas pintadas, as bolas verde e amarelas espalhadas pelas casas, ruas e comércios? As bandeirinhas nas janelas dos carros?

Nós, brasileiros, perdemos aquele velho interesse pela Copa, não por causa do vexatório 7×1 em casa de 2014 (até porque temos na atual seleção a grande chance da redenção), mas porque o povo brasileiro teve, nos últimos quatro anos, minada a sua alegria. É como aquele famoso sintoma da depressão: a perda do interesse naquilo que mais gosta.

Qual o clima para celebração quando nossas famílias fazem dívidas, todos conhecemos um ou mais desempregados, os preços sobem nos supermercados e, pior, os produtos somem graças ao ataque financeiro à estrutura social, logística e produtiva do país? Quando a tristeza realmente dói, o clima para festa se esvai na aflição da angústia diária.

Torceremos, tenho certeza. Quando chegar a hora, sentaremos diante da TV com a roupa do dia, alguma coisa para comer, alguns familiares e um ou outro comentário “É… esse time é bom. Deve ganhar”. Mas aquele “Vai Brasil!”, de verde amarelo, no churrasco com os amigos, “com muito orgulho e com muito amor!”… Ah, esse custa a voltar.

Em tempo, a notícia da semana é muito menos a Copa e mais o Datafolha de domingo. Porque, amigos, se vocês forem lembrar, mesmo o noticiário político parava em épocas de Copa do Mundo. Hoje, a política é o que todo mundo quer saber. E o instituto paulista mostra o que não se pode negligenciar: sem Lula nas eleições, não sairemos da encalacrada política em que nos metemos, que nos consome o peito a ponto de esquecermos do que mais gostamos, da nossa paixão.

Vejam bem, não digo “sem Lula presidente”. Isto cabe ao povo escolher e, se o leitor tem simpatias à direita, desejo-lhe ótima campanha contra as ideias do velho Luís Inácio. Entretanto, a retirada violenta do homem que, preso, tem a preferência de metade do país e possivelmente vence em primeiro turno, não permitirá ao país deixar a situação de ilegitimidade política em que entrou, a qual discuti aqui em meu primeiro texto, há duas semanas. É ruim para todos. A esquerda perde seu principal candidato. A direita perde o discurso de que venceu, de fato, as eleições. Se vencer, é claro.

E digo “se” porque o petista, não se enganem, lidera o quadro eleitoral com 30% dos votos brutos (sem contar os votos válidos, que não contabilizam brancos e nulos). É número igual aos que afirmam votar “com certeza” em quem ele indicar. Os que votariam “talvez” somam mais 17%, totalizando 47% e potencial vitória em primeiro turno para a dona Maria da Buchinha, caso seja a escolhida pelo ex-presidente. Por isso, são estranhos os números da pesquisa estimulada com a presença de Lula, porque se ele transfere até 47%, por que teria apenas 30%? É natural que ele tenha mais votos do que é capaz de transferir, correto? Ou alguém diz: “Ah, eu voto no Ciro (Marina, Alckmin, Bolsonaro, tanto faz), não no Lula. Mas no indicado dele pode ser que eu vote”? Não faz sentido. Os números podem estar mascarados pelo interesse dos grupos que controlam o jornal que detém o instituto.

Independentemente disso, os dados mostram o quanto estamos dependentes do destino do presidiário (político ou não, ao gosto do leitor), para deixarmos o túnel escuro em que nos metemos e sermos felizes de novo, voltando a ter alegria com o que mais amamos. Será que vale a pena, baseados mais em convicções que em fatos provados, nos movermos pelo ódio contra o ex-presidente que é chave-mestra para a solução dos problemas do país, eleito ou derrotado? Me atrevo a dizer que não.

 

Hélio Rocha

Jornalista formado pela UFJF

Repórter de meio ambiente e direitos sociais

Mestrando em Comunicação

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