HomeOpiniãoA Frágil liderança e Anastasia em MG

A Frágil liderança e Anastasia em MG

A denúncia de que o ex-governador, atual senador e hoje candidato ao Governo de Minas pelo PSDB, Antônio Anastasia, teria recebido verba ilegal de campanha em 2010, quando concorria ao Palácio Tiradentes, ganhou neste sábado (11) cinco minutos de matéria no Jornal Nacional, hoje o arauto principal da inquisição jurídico-midiática armada no Brasil. Tal situação promete incendiar o cenário eleitoral mineiro.

A oito semanas das eleições, temos um quadro em que o governador Fernando Pimentel (PT) encontra dificuldades para sua reeleição, em grande parte devido às relações complicadas que vem mantendo com professores e servidores estaduais, base histórica do eleitorado petista. Boicotado pelo Governo federal e enfrentando escassez de recursos, o Executivo vem parcelando salários há mais de um ano. Ao mesmo tempo, o principal candidato de oposição não decola porque se vê ligado ao golpe parlamentar de 2016, que produziu a maior recessão da história do país. Agora, a situação do ex-governador é agravada por denúncia de corrupção e ligação ainda mais explícita com os já reconhecidos escândalos de Aécio Neves.

No vácuo deixado pela falta de identificação do voto de esquerda em Minas com o principal candidato progressista, a direita lidera o cenário eleitoral segundo as principais pesquisas, aproveitando-se do alto número de indecisos. Hoje, segundo pesquisa Doxa realizada em julho, são 40% dispostos a votar nulo e outros 19% indecisos, contabilizando um exótico potencial de abstenção em 59%. Dada a rejeição a Pimentel, a ausência de um candidato que represente a novidade no cenário eleitoral e certa consolidação do nome de Anastasia junto a parte do eleitorado conservador, o tucano contabiliza 15% dos votos, contra 12% de Pimentel e 9% do ex-prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda (PSB). Este, possivelmente, terá seu nome impugnado por ação movida pelo próprio partido.

Neste caso, os dois principais candidatos apresentam, pelas contradições inerentes ao quadro eleitoral, também grande possibilidade de crescimento nas oito semanas que vêm pela frente. Diante da fragilidade de Anastasia ante a conjuntura política e os anseios do eleitorado pelo retorno do país às políticas de bem-estar social, o senador, que foi relator do processo de impeachment da presidenta eleita, Dilma Rousseff (PT), e é cria política de Aécio Neves, que compôs o triunvirato da articulação do golpe com Michel Temer e Eduardo Cunha, pode ver-se numa liderança que representa o quase limite de seu teto eleitoral.

Fernando Pimentel, por sua vez, vê nessa largada a possibilidade de reagrupar os três segmentos que o elegeram em 2014: a base petista, a classe média com simpatias à social-democracia e as classes populares, que associam sua fragilidade social à escassez de políticas públicas do modo tucano de governar. Hoje, segundo leitura de quadros internos do PT, o lastro social que garantiu vitória em primeiro turno ao petista em 2014 encontra-se disperso na rejeição geral, seja nos brancos, nulos ou na indecisão, seja na terceira via postulada por Lacerda.

Por isso a aposta do partido, na Executiva nacional, foi por negociar a saída do candidato do PSB, que abre caminho para a eleição plebiscitária em que, a despeito da rejeição, Pimentel se apresentará como “o não ao golpe”, hoje a bandeira capaz de trazer este campo de volta.

O arsenal será pesado: Dilma no palanque, concorrendo a senadora; Lula-Livre como lema e nome da coligação; amplos setores do PSB no interior do estado, capitaneado pelo deputado federal Júlio Delgado; uma eventual e bem-sucedida campanha de Lula à presidência ou de seu representante, em caso de nova injustiça imposta pelo Judiciário.

Aliada às patacoadas recentes dos quadros tucanos mineiros, que ganharam protagonismo nacional, a possibilidade de que Pimentel vire o jogo é clara. Resta saber que meandros o mais estranho processo eleitoral desde a redemocratização reservará ao PT de Minas Gerais, visto o estado ser estratégico na cena nacional, pois concentra o segundo maior eleitorado e terceira economia do país.

Hélio Rocha

Jornalista formado pela UFJF

Repórter de meio ambiente e direitos sociais

Mestrando em Comunicação

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