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Desculpa, Brasil

Me desculpe, Brasil, por não ser “patriota”, nesses tempos de “pátria de chuteiras”. É que há muito tempo escolhi ser empresário, então preciso ser patriota em tempo integral, sobretudo quando as coisas ficam difíceis, quando todos tiram férias, quando se emendam os feriados, a cada impunidade por corrupção, desperdício de recursos e ineficiência do Estado, quando enfrento diariamente a brutalidade da burocracia e dos impostos que tentam drenar a minha fé. Então, na copa do mundo, no Carnaval e em outras “festividades” eu me permito tirar férias do “patriotismo”. Me desculpe!

Me desculpe, Brasil por ser “radical”. É que há muito tempo decidi pensar por mim mesmo. Não assisto TV, não sigo religião, não tenho time do coração, nem político de estimação – sou um sujeito na contramão. Leio meus livros e componho algumas músicas. Sou visto com esquisito e sempre me perguntam “o que eu tenho fumado”. Desculpe, Brasil, mas quem se livrou das drogas fui eu!

Me desculpe, Brasil, por não comparecer às comemorações, embora eu as tenha patrocinado compulsoriamente. É que quando vejo a multidão em êxtase, não sei mais diferenciar a alegria do desespero, e os prejuízos morais a seguir serão contabilizados e pagos com juros altos. Adivinha quem será o credor!

Me desculpe, Brasil, por ser “dramático” mas poucos brasileiros têm reais motivos para festejar, e eu não estou na lista dos convidados. Eles estão no comando dos microfones e das câmeras, recebem as homenagens, promovem os “Heróis”, e no final quem paga a conta e recolhe o lixo sou eu.

Por isso, querido Brasil, me desculpe. Alguém precisa acordar para cuidar do seu futuro. Não vou à sua festa, Brasil, porque te amo demais para incentivar a sua embriagues.

Me desculpe, Brasil…

Ueslei Bonin Machado

Arquiteto e urbanista, MBA em gerenciamento de projetos, sócio fundador da Bonin Arquitetura, professor do curso de  Arquitetura e Urbanismo do Instituto Metodista Granbery.

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