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Exercício da Indignação

A indignação é prima da raiva. Traz sentimentos de irritação, ódio, angústia e, por vezes, desesperança.

A raiva surge ao nos depararmos com um obstáculo avaliado como hostil, interferindo no que se está fazendo ou intencionado a fazer. Essa emoção gera uma tendência de ataque para remover aquele impedimento e mudar a situação, frequentemente de modo que destrua ou prejudique o alvo.

Entretanto, em alguns momentos, a raiva vem acompanhada de um sentimento de cólera ou desespero, experimentado diante da injustiça, do desrespeito e da revolta, gerando aí o que nomeamos de “indignação”.

A partir da desesperança, começamos a cometer os “pequenos assassinatos cotidianos”, práticas diárias essas extremamente danosas e prejudiciais ao contexto que deveríamos nos ater, somos um – somos hUManidade. Discursos de verdades absolutas, de busca desenfreada pelo ter e pelo poder, que apontam a política, os governantes, o vizinho ou o chefe como os responsáveis por não seguirmos as regras, por desrespeitarmos os outros, por sermos corruptos é uma “licença poética” para descermos ao grau mais baixo de desumanidade.

Tomemos cuidado para não nos contaminarmos com estes discursos vazios de valores, fiquemos atentos a nós mesmos, indigne-se em você e com você. Não se acovarde responsabilizando sempre o outro por toda a tragédia a que estamos sendo acometidos, somos todos responsáveis. A virtude da benevolência em momentos de justiça desenfreada é uma alternativa na busca da melhor solução para todos.

O exercício da indignação nos aponta para movimentos de resistência, para a construção de outros possíveis, de afirmação de processos inéditos de vida. Que sejamos luz em meio a escuridão.

“A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como são; a coragem, a muda-las.”

Sto. Agostinho

Janaína Siqueira

Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde Brasileira da UFJF

Membro do NUPES (Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde da UFJF)

Mestre em Psicologia (Psicologia Social) pela Universidade Gama Filho (2006)

Diretora e psicóloga clínica da Ágape – Centro de Terapia Cognitivo-Comportamental

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