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NOSSAS PALAVRAS TÊM PODER

Minha vó sempre nos dizia: “as nossas palavras têm poder”. Era uma forma de nos alertar sobre a força de uma palavra proferida, seja para o bem ou para o mal. E, numa analogia simples, fico refletindo que se as palavras na época da minha vó já poderiam causar impactos tão profundos, imagine agora com as redes sociais? Nelas, nos tornamos multiplicadores, muitas vezes em âmbito mundial, de ideias, práticas, comportamentos e crenças, seja para o bem ou para o mal.

Não temos filtros, não temos barreiras, somos livres, vivemos numa democracia. Falamos o que queremos, compartilhamos o que nos interessa (seja isso verdade ou não), apenas queremos “embasar” nossas crenças e demonstrar que isso é uma verdade absoluta e ponto final. Passamos a ser “os donos da verdade”!

E todos aqueles, que compactuam com os nossos pensamentos, passaram a ser pessoas esclarecidas intelectualmente e dignas de que nós multipliquemos aquilo que ele compartilhou sobre a temática que acreditamos, conjuntamente, seja isso verdade ou não. Não queremos saber das fontes, das bases daquela publicação. Não temos tempo para isso!

Aliás, tempo é o que nos falta na era digital. Estamos sempre com os ânimos exaltados e com a necessidade de nos manifestar sobre o assunto (a polêmica) do momento, pois se não o fizermos hoje, se não o fizermos agora, podemos perder a “audiência” daquela temática, podemos não ser capazes de mudar uma opinião ou virar um voto, por exemplo. E amanhã já é outro dia, meus amigos, pode ser tarde demais.

E aí estamos diante de mais um grave erro: as palavras são proferidas sem pensar, sem cuidados e sem reflexão. Acreditamos que aqueles que nos leem, vão interpretar o texto da forma que nós queremos dar a entender. Mas, não. O nosso interlocutor vai ler aquilo e interpretar de acordo com as crenças e os valores dele, não se esqueçam que todos são os “donos da verdade”. E da mesma forma que você escreveu ou compartilhou aquilo num momento de exaltação, ele fará a leitura do mesmo jeito. Sem tempo para pensar, sem tempo para refletir. O “tempo não para”!

E nesse interim, podemos dar força a palavra de forma equivocada. Podemos estar fazendo campanha de forma errada. Podemos incitar aquilo que queremos crucificar, pois temos a forte tendência de falar sobre aquilo que não aceitamos do que defender aquilo que acreditemos. Temos mais interesses em tentar mudar a opinião do outro apontando aquilo que acreditamos ser errado, do que buscar formas inteligentes (estudos, dados e ações concretas) e positivas de demonstrar aquilo que de fato pressupomos ser o certo.

Diante disso, podemos achar que estamos vendendo o nosso produto ao apontar os “erros da concorrência”, mas, no fundo, estamos apenas fazendo propaganda gratuita para ela. E, aplicando esta teoria nas eleições de 2018 no Brasil, suscito ao leitor uma reflexão sobre tudo que vimos nas redes sociais nos últimos dois meses. Quem elegeu o novo presidente? Foi quem sempre acreditou nele ou quem despendeu boa parte do seu tempo para fazer campanha de que #elenão era o ideal? Lembre-se: “quem não é visto, não é lembrado”.

Thais de Oliveira Lima é turismóloga pela Universidade Federal de Juiz de Fora, mestre em turismo, planejamento e gestão pela Universidade Federal Fluminense e doutoranda na Universidade de Aveiro (Portugal).

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