HomeOpiniãoOs caminhos de Bruno na corrida ao Senado

Os caminhos de Bruno na corrida ao Senado

Na última semana, o Instituto DataPoder 360, ligado ao blog Poder 360, do jornalista Fernando Rodrigues, divulgou pesquisa registrada no TSE, realizada por telefone em 161 municípios mineiros, que aponta o ex-prefeito de Juiz de Fora Bruno Siqueira (MDB) como um dos favoritos na corrida ao Senado, empatado tecnicamente com a última presidente eleita do país, Dilma Rousseff (PT), e com o senador e possível candidato à reeleição, Aécio Neves (PSDB). São 13% de intenções de voto para o ex-prefeito e a presidente, 12% para Aécio.

Bruno pode se tornar, de fato, um nome relevante e principal candidato de oposição ou alternativa ao PT na corrida ao Senado por Minas. Isto porque é clara a possibilidade de que Aécio sequer se lance na corrida ao Senado, visto que seus problemas com a Justiça tornam urgente a necessidade de que ele se eleja a algum cargo e mantenha o foro privilegiado, fazendo-o recorrer à “bola de segurança” da candidatura a deputado federal. 

O ex-prefeito, cuja administração superou o mau legado deixado pelos antecessores Alberto Bejani (PTB) e Custódio Matos (PSDB), não fez um mandato à altura das expectativas que se criou à época de sua eleição, em 2012, quando evocou a memória de seu principal apoiador, o então já falecido ex-presidente Itamar Franco (PMDB), e lançou-se como um jovem renovador da política, tal qual seu padrinho fora nos anos 1960. Tampouco foi um mau prefeito, tendo trabalhado internamente por melhorias de gestão e aperfeiçoado estruturas pontuais de gargalos logísticos e econômicos de Juiz de Fora. Isto levando em consideração que, ao contrário da administração sempre lembrada e elogiada de Itamar, Bruno enfrentou problemas de arrecadação, greves de servidores e uma crise nacional política e econômica sem precedentes na Nova República.

Por outro lado, o ex-chefe do Executivo encontra rejeição por grande parte da população de Juiz de Fora, especialmente aquela mais pobre e o eleitorado de esquerda, por aproximar-se politicamente do núcleo neoliberal que governa o país após o impeachment/golpe que alçou Michel Temer à presidência da República, em 2016. Ele, que desde 2012 faz campanha fazendo-se valer de uma suposta proximidade “com o vice-presidente Michel Temer”, reiterada nos programas eleitorais, trouxe a Juiz de Fora, no último mês de maio, o ex-ministro da Fazenda e possível candidato ao Planalto por Temer, Henrique Meirelles. Com isso, Bruno sinaliza que sua campanha pode transcorrer no esteio da “defesa do legado do Governo Temer” e do antipetismo.

O caminho encontrado pelo ex-prefeito para tornar-se competitivo nas eleições de 2018 também indica que o MDB já desconsidera a possibilidade de caminhar ao lado do governador Fernando Pimentel, na chapa com Dilma Rousseff. Esta é uma “faca de dois gumes”. Ao mesmo tempo, garante votos antipetistas, que correm de candidato para candidato à medida que seus nomes mais fortes definham em más gestões, fragilização de direitos dos cidadãos, entrega do patrimônio nacional e denúncias de corrupção. Por outro lado, esta opção pode garantir boa posição de largada, mas um mau desempenho na corrida eleitoral, à medida que a população realizar o debate sobre o cenário desastroso que a pauta neoliberal vem causando ao Brasil.

Um caminho interessante para Bruno Siqueira, portanto, seria lançar-se candidato fora do guarda-chuva petista, de modo a buscar o eleitorado decepcionado com o PT e, igualmente, aquele que sempre o odiou (não há outra expressão, visto que esta relação jamais teve contornos de oposição política no campo democrático). Ao mesmo, ele estaria independente da gestão federal rejeitada por nove em cada dez brasileiros. 

Daí, o leitor perguntaria: “Mas o que ele vai dizer ao público, se não é contra nem a favor do PT, nem contra nem a favor do Governo?”. Minha sugestão seria a defesa do interior de Minas, tão esquecido pelos políticos que se fazem conhecidos no estado a partir da capilaridade do Governo Estadual e dos meios de comunicação sediados em Belo Horizonte, tornando a região metropolitana, de longe, a mais atendida pelo Poder Público nas últimas décadas em Minas Gerais. 

Se Bruno tem em mãos uma proposta tão sólida, como o primeiro representante do interior de Minas a chegar ao Senado, caso seja eleito, por que vincular-se ao Governo Temer e criar uma agenda em torno do antipetismo? A pauta está clara e é competitiva. Resta coragem de levá-la ao debate, optando pelo caminho mais qualificado, porém mais desafiador.

Hélio Rocha

Jornalista formado pela UFJF

Repórter de meio ambiente e direitos sociais

Mestrando em Comunicação

Seja o primeiro a comentar

comente

Scroll Up