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Tragédias anunciadas

A tragédia em Brumadinho já é a maior da história da mineração mundial, com maior número de vítimas fatais e maior acidente trabalhista do país. Quando se ouve em voz ressoante que episódio como esse não pode se repetir, implica não somente à mineração, mas a toda atividade de risco humano e ambiental.

O que vimos em Mariana e, ainda mais horrorizados e consternados, vemos em Brumadinho é o anúncio de que não podemos nos dar ao luxo e ambição de permitir o afrouxamento das leis ambientais, de não levar a sério a segurança, o meio ambiente e as fiscalizações, de sufocar a cadeia de fornecedores cobrando eficiência a baixo custo ou a qualquer custo, de utilizar práticas mais baratas, menos eficientes e com passivo socioambiental imensurável, enquanto centros de estudos estão disponíveis para soluções inovadoras.

Empresas, governos e a própria sociedade civil precisam aprender a ver a vida, seja qual for, como fonte primeira e insubstituível. Se o Brasil continuar olhando para as obrigações legais ambientais e de segurança como embaraço para o desenvolvimento dos negócios, será inevitável ver novamente cenas inimagináveis como essas. A tragédia anunciada não está somente na mineração. Ela pode ser percebida no agronegócio, que pode se expandir para terras indígenas, nos rios e bacias hidrográficas que poderão deixar de existir, em outras tantas atividades de exploração que serão beneficiadas se houver o afrouxamento das leis ambientais. Tragédias anunciadas no Brasil vem a canetadas e a conta fica para o mais indefeso pagar.

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