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Uma greve 2.0

A próxima geração não conhecerá greve de caminhoneiros, como a geração atual não sabe o que é greve de bancários. Quem viveu os anos 90 lembra o quanto ficávamos tensos quando esta categoria anunciava paralisação. Eram dias de caos. E, por que as greves de caminhoneiros vão deixar de existir?

A Revolução Industrial ocorreu na segunda metade do século XVIII. Quando surgiu a máquina a vapor, pela primeira vez o homem soube o que era abundância. Roupas deixaram de ser escassas quando a produção manual foi substituída por grandes teares e as distâncias começaram a ficar mais curtas quando as ferrovias passaram a rasgar o chão. Esta primeira Revolução Industrial foi superada 100 anos depois, no final do século XIX, com o surgimento do petróleo como energia. Isso gerou a segunda Revolução Industrial, que fez surgir uma outra palavra: progresso! O petróleo passou a ser o centro das nossas vidas. Está presente no remédio, na roupa, no alimento. É tão importante e atrai tantos interesses, que onde é produzido em grande volume o ambiente político é sempre conflituoso.

A Terceira Revolução, ocorrida na primeira metade do século XX, foi marcada pela era dos computadores, o que deslocou o poder da indústria para o setor de serviços. Por isso, os bancários passaram a ter poder de barganha e os bancos passaram a ter lucro mesmo quando o mundo vai à bancarrota. Mas, a automação ocorrida neste setor destruiu empregos e fragilizou a categoria dos bancários, cujas greves hoje passam quase desapercebidas.  Mas, e os caminhoneiros?

O petróleo é finito, é produzido em locais politicamente instáveis e é fortemente agressivo ao meio ambiente. Estes três motivos por si somente demonstram a necessidade de substitui-lo, por soluções sustentáveis. E é o que vem ocorrendo de modo silencioso e rápido. Na era da bioeconomia, o combustível será plenamente renovável. Energia gerada por células fotoelétricas, pelo vento e por plantas, já começaram a substituir o petróleo como combustível.

Já a internet das coisas fará desaparecer a profissão de motorista. O carro será inteligente o suficiente para se guiar sozinho, com mais segurança e racionalidade. A Quarta Revolução já começou a extinguir a classe dos caminhoneiros, um segmento típico do mundo da Segunda Revolução Industrial. Afinal, petróleo e carro é do mundo 2.0. Neste novo cenário, a capacidade de parar o país estará nas mãos de profissionais de Tecnologia de Informação e Comunicação. Eles é que poderão ser os grevistas do mundo 4.0.

Será? E os robôs, vão permitir que eles tenham tamanho poder?

Paulo do Carmo Martins

Doutor em Economia Aplicada pela USP/Esalq

Professor da FRA/UFJF

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